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Novos Velhos Dias
A comédia Novos Velhos Dias voltou em cartaz no Teatro da Vila em São Paulo. De forma futurista, seu enredo mostra o drama vivido pelo último ator humano, quando este é substituído por uma atriz robô perfeita que além de tudo é capaz de amar.
O questionamento trazido em cena pela Cia. da Gema, reflete as conversas do elenco sobre um futuro próximo, que ali é traduzido com um humor ácido e muita ironia, porém a intenção é divertir o público e não levá-lo a pensar na questão crítica – o que conseguem com maestria.
O elenco defende o texto mostrando como será a situação das pessoas nesse futuro e destaca-se a atuação do mendigo, que tem a capacidade de gerar uma grande empatia com a platéia.
Um dos destaques da montagem é a utilização de referências tecnologias pelo cenário, que é composto por televisões que exibem mensagens contextualizando a cena.
A peça fica em cartaz até 31 de agosto no Teatro da Vila que fica localizado na Rua Jericó, 256. Confira também o site da peça – www.novosvelhosdias.com – e imprimar a filipeta para ter 50% de desconto.
Guilherme Udo
2 comments 7 Agosto 2008
Quando as Máquinas Param
A peça, de Plínio Marcos, tem direção de Dan Rosseto e conta com Fernando Belo e Ligia Paula Machado no elenco.
O texto mostra o cotidiano de um jovem casal formado por Nina e Zé, cuja condição social leva um relacionamento estável e baseado no carinho a sofrer grandes abalos.
Ao entrar no pequeno teatro, que já garante um clima bastante intimista, você se depara com um cenário que remete a cozinha de uma casa bem simples e pode pensar “Lá vem mais uma montagem sobre a pobreza… que chato!” – Engano! A peça surpreende em todos os sentidos!
Logo no início, os dois jovens atores mostram que a cena teatral de São Paulo renova seus talentos e que técnica e paixão pelo teatro podem caminhar juntos, resultando num brilhante trabalho de atuação, apesar da pouca idade. A valorização do texto, através da construção de personagem que cada um fez, fica evidente.
A direção de Dan Rosseto proporciona uma montagem que não cansa a platéia, com ótimas opções para transição de tempo e local da ação somadas a uma brilhante trilha sonora. O diretor consegue criar aquele clima gostoso que faz com que os espectadores queiram mais e mais daquela história.
Ótima opção para se divertir no sábado à noite, Quando as Máquinas Param ainda leva a reflexão sobre as diferenças sociais, o desemprego, o amor, as relações humanas e o limite de cada um.
A peça fica em cartaz até o final de agosto, sempre aos sábados às 21h30 no Teatrix, localizado na Rua Peixoto Gomide, 1066. Os ingressos custam R$ 20,00.
Guilherme Udo
1 comment 5 Agosto 2008
Agenda – 5 de Agosto a 11 de Agosto
Teatro
Hamlet (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Wagner Moura e grande elenco – Teatro FAAP – Rua Alagoas, 903, Higienópolis – Sextas e sábados às 20h e Domingos às 18h – R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia)
Quando as Máquinas Param (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com direção de Dan Rosseto e Fernando Belo e Ligia Paula Machado no elenco – Teatrix – Rua Peixoto Gomide, 1066, Jardim Paulista - Sábados às 21h30 – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Cartilha Feminina para Homens Machos (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Sheila Mello – Avenida Club – Av. Pedroso de Moraes, 1036, Pinheiros – Sábados às 21h – R$ 35,00 (inteira) e R$ 17,50 (meia)
Flores Brancas – Com Zeza Mota e Luciana Caruso – Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Sumaré – Quintas às 21h30 – R$ 30,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
A Guerra dos Caloteiros – Com Cia. Ocamorana – Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sextas e sábados às 21h30 e Domingos às 20h30 – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Ultralight (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Edi Fonseca e Zeza Mota – Teatrix – Rua Peixoto Gomide, 1066, Jardim Paulista - Sextas às 21h30 – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Novos Velhos Dias (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Cia. da Gema – Teatro da Vila – Rua Jericó, 256, Vila Madalena – Sábados às 21h e Domingos às 20h30 – R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia)
Desenconstros Clandestinos (Em breve, confira aqui, no ENTEATRO, a crítica do espetáculo) – Com Kito Junqueira – Teatro União Cultural – Rua Mario Amaral, 209, Paraíso – Sextas e sábados às 21h30 e Domingos às 20h – R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Teatro Infantil e Infanto-Juvenil
O Beijo na Terra (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Luana Melo – Teatro Augusta – Rua Augusta, 943, Cerqueira César – Sábados e domingos às 16h – R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
O Conto do Reino Distante - Com o Grupo Faz e Conta – Teatro Ágora – Rua Rui Barbosa, 672, Bela Vista – Sábados e domingos às 16h
O Foguete Notável - Com Cia. Orbital de Teatro – Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sábados e domingos às 16h – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Meia, Sapato, Chulé… Tudo Dá no Pé! – Com Cia. FeijamKarroz – Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sábados e domingos às 16h – R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia)
Os Meninos e as Pedras – Com Núcleo Entrelinhas de Teatro – Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sábados às 21h30 e Domingos às 20h – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Caso queira seu evento divulgado nessa sessão, mande um e-mail para contato@enteatro.com.br.
Add comment 5 Agosto 2008
Ultralight
Ultralight entrou em cartaz na última sexta, 1º de agosto, no Teatrix. A peça mostra o universo feminino na relação de Julia e Suzana, duas irmãs que, quando se encontram depois da morte do pai, não conseguem demonstrar afeto e carinho. Zeza Mota e Edi Fonseca conseguem levar a platéia – com ajuda do clima intimista que o Teatrix proporciona – a mergulhar naquela relação conflituosa junto com as personagens.
O texto de Jarbas Capusso Filho mostra a falência da inocência, a culpa, a solidão: Julia sempre viveu na casa dos pais e cuidou do pai até a sua morte. Suzana mora nos Estados Unidos e lá se tornou uma escritora de sucesso. De volta ao Brasil, Suzana tem que decidir, junto com a irmã, onde serão depositadas as cinzas do pai.Entre as sucessivas tentativas de resgate do amor entre as irmãs surgem diálogos ao mesmo tempo cortantes, irônicos e divertidos.
A cenografia, com objetos sempre na cor branca, junto com o figurino, que segue o mesmo padrão, dão um tom onírico e até de loucura a toda a encenação.
Com direção de Tatiane Daud, que garante emoção aos movimentos das atrizes, a peça se sustenta como um drama com momentos de comicidade incríveis e que leva a reflexão acerca dos limites do relacionamento humano, do amor e da loucura provocada pela solidão.
A montagem fica em cartaz até o final de novembro, sempre às sextas às 21h30 no Teatrix, localizado na Rua Peixoto Gomide, 1066. Os ingressos custam R$ 30,00.
Guilherme Udo
4 comments 4 Agosto 2008
Senhora dos Afogados
Com a temporada prorrogada até 28 de setembro, continua em cartaz, no Teatro SESC Anchieta, o espetáculo Senhora dos Afogados de Nelson Rodrigues com adaptação e direção de Antunes Filho.
Qualquer texto de Nelson Rodrigues é profundo e exige grande dramaticidade e em especial este. Além disso, é notório e conhecido o despudor em suas peças. Mas não é que se vê nessa montagem, totalmente construída de forma que o pudor prevaleça, exceto nas prostitutas que se mostram nuas. A concepção está muito aquém do universo rodrigueano, ao tentar se cercar de imagens mais inocentes e tentando trazer toda a situação para algo mais leve e bem menos pesado – dramático – do que realmente é.
O elenco, formado pelo Grupo de Teatro Macunaíma, é em geral razoável, com exceção dos três principais – Lee Thalor no papel de Misael, Valentina Lattuada no papel de D. Eduarda e Angélica di Paula no papel de Moema – que se destacam pela dramaticidade e técnica que demonstram em cena, fazendo com que a cena final dos três personagens dê vida a peça e faça o público sentir que aquilo é teatro.
Fred Mesquita, como um dos filhos, em suas poucas aparições também se mostra competente para o papel, assim como Eric Lenate, como o noivo; já o resto do elenco faz a coisa ficar morna, com gestos e trejeitos baseados em estereótipos desnecessários e que poluem a montagem.
A cenografia é construída de forma quase ausente, às vezes, até dificultando a compreensão do espaço no qual é construída aquela cena.
Pelo clamor que se tem em volta da montagem, espera-se muito mais – diz-se que Nelson é difícil de ser montado, e o é, para provar isso, basta assistir essa adaptação.

CONHEÇA MAIS: Você pode descobrir mais sobre o universo rodrigueano lendo os livros Teatro Completo de Nelson Rodrigues: Peças Míticas – Vol. 2 ou Senhora dos Afogados.
Guilherme Udo
5 comments 27 Julho 2008
Hamlet com Wagner Moura
Hamlet, um dos desafios de Wagner Moura em sua carreira, está em cartaz no Teatro FAAP em São Paulo.
É surpreendente ver o talentoso elenco percorrendo aquela trama com momentos de comicidade incrível balanceados com interpretações dramáticas no ponto!
Se interpretar Hamlet é marcante na carreira de um ator, pode-se dizer que Wagner faz isso com muita habilidade, defendendo com garra o personagem e dando um ar que faz a platéia ficar presa do iníco ao fim. Como diz Hamlet no V Ato: “Estar pronto é tudo.” e é isso que se percebe em Wagner.
O resto do elenco está afiado em seus personagens, apesar de alguns estereótipos adotados em certos papéis. A opção de manter os atores em cena, mesmo quando não estão envolvidos na ação, resulta em uma encenação que se assume como teatro, mas que não perde a magia.
É gostoso ver uma história ser narrada e, ao mesmo tempo, poder perceber como ela é construída por aquele elenco, através dos olhares de atenção deles para a ação que ocorre e de seu apoio em montar o cenário enquanto não participa da encenação.
Tudo segue a linha do “menos é mais”, desde os cenários, figurino e objetos de cena até o a própria interpretação do elenco, que é minimalista, mas nem por isso sem força! Há também o uso da tecnologia, que é muito bem empregado, auxiliando na concepção de algumas cenas que podemos ver ao vivo e também em um telão ao fundo do palco que mostra as cenas captadas por um dos atores como cinegrafista, que nos leva a ver um outro lado da cena.
Leve, divertida e emocionante, a montagem certamente marca a carreira desse elenco e merece aplausos.
MÉDIA: 9.0
RECOMENDAÇÃO: Vá! Não perca a oportunidade de ver um trabalho muito bem desenvolvido por um elenco jovem e talentoso, além de ter a certeza de que encontrará diversão, emoção e ainda reflexão sobre a sociedade.
CONHEÇA MAIS: Você pode ler a peça original ou assistir adaptações para o cinema. Veja a lista:
Livro – Hamlet: Edição Adaptada Bilíngue
Livro – Hamlet ou Livro – Hamlet
DVD – Hamlet (Criterion Collection)
DVD – Hamlet de Franco Zeffirelli
Guilherme Udo
*atualizado em 27 de Julho de 2008
7 comments 21 Julho 2008
Gota D’Água
O musical de Chico Buarque e Paulo Pontes, Gota D’Água, está em cartaz no SESC Vila Mariana em São Paulo com ingressos esgotados.
Adaptação do clássico Medéia para a realidade brasileira, a montagem é repleta de surpresas, a começar por um elenco encabeçado por Izabella Bicalho, que dá um show de garra no palco. Seus colegas em cena também mostram uma qualidade impecável e têm algo raro hoje em dia, a capacidade de interpretação, não são somente cantores que se aventuram a dar vida a algum papel, mas atores que vivem aquele drama todo, que, se é que isso ainda é possível hoje, te fazem viver a famosa catarse, citada na Poética de Aristóteles.
Musicais e trama envolventes somados a um elenco de qualidade resultam em um dos melhores musicais em cartaz esse ano. Merecidas as várias indicações ao prêmio Shell.
MÉDIA: 10.0
RECOMENDAÇÃO: Imperdível. Pena que está esgotado!
Guilherme Udo
2 comments 19 Junho 2008
Waterwall
O espetáculo Waterwall, conhecido mundialmente pelas suas coreografias com água, esteve no Brasil, nas últimas três semanas.
Quem acompanhou a última sessão da companhia italiana Materiali Resistenti Dance Factory no Credicard Hall em São Paulo, pode perceber uma casa vazia com aplausos frios. Qual seria o motivo?
Sendo o espetáculo mais famoso da Cia. por suas coreografias junto a uma queda d’água artificial montada no palco, que despeja aproximadamente 16 mil litros de água por sessão (convenhamos, com a atual preocupação mundial quanto a escassez de água, esse dado mostra uma desperdício absurdo!), espera-se que seja cheio de emoção. Aí que começa o problema… os integrantes esbanjam energia e vontade, mas as coreografias não são muito elaboradas, comprometendo a sensibilização do público, fica um gosto de que poderiam existir passos mais complexos, que tivessem o fator risco ao invés daqueles passos que mostram total segurança do elenco.
Fato dois: qual o tamanho da queda d’água que você imagina quando começa a ler sobre espetáculo? No mínimo algo grandioso? Pois é! A “cachoeira”, guardadas as devidas proporções, pode ser comparada a uma ducha.
Fato três: sincronismo é necessário! é complicado assistir a um espetáculo de dança, quando cada um do grupo está em uma etapa dos passos.

MÉDIA: 4.0
RECOMENDAÇÃO: Fique em casa! Não merece o seu dinheiro…
Guilherme Udo
3 comments 12 Junho 2008
Os Monólogos da Vagina
Há vários anos em cartaz, a peça “Os Monólogos da Vagina” já percorreu várias cidades do Brasil e, por todo lugar, deve ter arrebatado risadas da platéia.
No sábado, dia 3 de maio de 2008, fui conferir, pela segunda vez, essa comédia; juro que me surpreendi, um elenco afinado, com interpretações no ponto, sem exceder o limite entre o bom tom e a comédia escrachada, as atrizes Vera Setta, Betina Vianny, Cacau Melo e Tânia Alves formam o time atual, se revezando nas apresentações, pois o enredo é conduzido por três delas a cada sessão.
No dia 3, conferi Vera Setta (que também é produtora da peça ao longo de 8 anos e foi quem trouxe o texto para o Brasil, convidando Miguel Falabella para tradução e direção), Betina Vianny e Cacau Melo.
Quem mais me surpreendeu foi, sem dúvida, Cacau Melo, mais jovens das atrizes, mas que segurou a peça com a maior garra e elegância, sendo disparada a melhor. Há alguns anos atrás, tive a oportunidade de assistir Vera Setta, Fafy Siqueira e Tânia Alves, e esta última defendia o mesmo papel que vi Cacau representar, afirmo sem dúvida que Cacau bateu de 10 a 0 em Tânia.
Mas… passados esses anos, será que “Os Monólogos da Vagina” ainda surpreende? Seu enredo é atual?
Claro! As piadas e algumas gags do texto foram atualizadas ao longo do tempo e os enredos dos monólogos retratam temas universais e de fácil identificação, difícil não se render a mais de uma hora de risadas!

MÉDIA: 8,0; há algumas ressalvas em questão de figurino e cenário!
RECOMENDAÇÃO: Vá assistir! Mas livre-se dos pudores antes!
Guilherme Udo
2 comments 12 Junho 2008















