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Os Meninos e as Pedras

Os Meninos e as Pedras/Divulgação

O premiado espetáculo juvenil volta a cena paulistana para cumprir temporada no Teatro Coletivo Fábrica em agosto e setembro.

A montagem é resultado de pesquisa sobre o conflito árabe-israelense, a encenação enfoca as disputas por territórios, a liberdade de expressão, relações de poder, a exploração de menores levados a lutar em frentes de batalha e a intolerância.

Quatro atores se revezam no papel de Fátima e Yonathan, emocionando a platéia que vê crianças/jovens lutando para crescer dentro de uma realidade que não entendem. Fátima e Yonathan representam a infância e juventude nas áreas de conflito das duas realidades e os dois se encontram na fronteira de um espaço imaginário, o “quintal de suas casas”. A partir daí, vêm à tona os conflitos existentes entre seus povos, bem como a possibilidade de conviverem.

Os poucos objetos cênicos utilizados, a qualidade do elenco – que exibe movimentos perfeitos -, iluminação e trilha sonora te levam àquele ambiente sem nenhuma dificuldade e fazem com que os 70 minutos de duração sejam vivenciados pela platéia como se todos estivessem ali, participando daquela história.

A dramaturgia e a encenação – que lembra jogos de criança como a queimada – são tão bem cuidadas que a platéia realmente sente o impacto da história. Não é a toa que a montagem conquistou o prêmio Funarte Petrobrás, Fomento ao Teatro (dezembro de 2005); APCA, Melhor Espetáculo Jovem de 2006; Femsa de Teatro Infantil e Jovem de 2006 nas categorias Melhor Espetáculo Jovem e Melhor Autor.

Esse é o primeiro espetáculo do Núcleo Entrelinhas de Teatro, criado em abril de 2004. O grupo trabalha para a realização de sua segunda montagem Paragens, baseada na obra do autor moçambicano Mia Couto.

“Os Meninos e as Pedras” está em cartaz no Teatro Coletivo Fábrica, localizado na Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sábados às 21h30 e Domingos às 20h – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

2 comments 28 Agosto 2008

O Foguete Notável

A adaptação do conto infantil de Oscar Wilde para os palcos não subestima a inteligência das crianças e é diversão garantida.

O espetáculo “O Foguete Notável” está em cartaz com a Cia. Orbital de Teatro no Coletivo Fábrica e tem direção de Suzana Aragão, do mesmo grupo. A história mostra a discussão entre quatro fogos de artifício lançados durante a comemoração do casamento entre um príncipe inglês e uma princesa russa. O debate entre os personagens serve de pano de fundo para evidenciar os efeitos do individualismo e da competitividade.

E aí está o grande destaque da montagem, que de forma sutil, sem forçar, mas nem por isso, superficial, mostra para as crianças, de forma prática e didática, como conviver com seus amigos e pensar mais no coletivo.

A Cia. Orbital foi fundada em 2007 com o intuito de realizar espetáculos infantis e esta é a sua primeira peça.

“O Foguete Notável” está em cartaz no Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sábados e domingos às 16h – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

1 comment 21 Agosto 2008

O Beijo na Terra

Elenco de O Beijo na Terra/Divulgação

Peças infanto-juvenis são raras no Brasil, como afirma Marcus Vinícius de Arruda Camargo, diretor de “O Beijo na Terra” – montagem que vem tentar preencher esse buraco.

“O Teatro infanto-juvenil ainda é raro no Brasil. Ou os espetáculos são infantis ou juvenis. Existe um vazio na área teatral em se tratando de jovens. São poucos os espetáculos voltados para essa faixa etária.”

Assim a peça tenta, através de uma aproximação com esse público, pensar na formação do futuro dos pré-adolescentes – ” Vivemos num mundo em transformação constante. Nos valores, na tecnologia, no comportamento, na educação, nos hábitos, em quase tudo. A transformação do jovem brasileiro muitas vezes nos deixa , e  a ele próprio, paralisados, assustados, inertes. Outras vezes nos deixa motivados, em êxtase, com alegria. Nesse antagonismo de emoções encontramos, ao nosso ver, o teatro infanto-juvenil.”

A trama discute relações afetivas, amizade, traição, preconceito e diferenças sociais de maneira bem humorada e sem ser cansativa, contando o namoro de Vininho, interpretado por Rafael Morpanini – com um trabalho primoroso de ator -, com Menina, personagem de Luana Melo.

Vale notar a valorização do folclore brasileiro ao longo do texto e a necessidade de aproximar o público do folclore brasileiro, uma vez que tudo é retratado dentro da cultura caipira.

O processo de montagem valorizou o trabalho dos atores e utilizou uma linguagem diferente – “Durante todo o processo tivemos como base o uso da linguagem cinematográfica, o mostrar o ator de verdade sem uso de mascaras de interpretação, não um ator querendo ser uma criança, mas o ator despertando a criança que vive dentro dele, se permitindo viver à situação com prazer, com alegria de viver aquele momento que é único de verdade e não tentando enganar o espectador com artifícios de voz de criança o algo parecido.”, diz Rafael Morpanini.

Se a preocupação é transformar, o objetivo é alçancado com glória, pois não só os pré-adolescentes, mas os pais sairão da peça tocados de alguma forma, movidos por aquela magia ali apresentada.

Com cenários e figurinos bem cuidados, feitos com o trabalho do próprio elenco, a encenação ganha vida, pontuada por uma trilha sonora que casa perfeitamente com todo o trabalho e age como o elo de ligação entre todos os elementos cênicos.

“O Beijo na Terra” está em cartaz em temporada popular no Teatro Augusta, localizado na Rua Augusta, 943, Cerqueira César – Sábados e domingos às 16h – R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Mais informações no site do teatro.

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

7 comments 14 Agosto 2008

TOC TOC

TOC TOC / Divulgação

TOC TOC aborda de maneira sagaz e com humor ácido uma doença que atinge parte da população mundial e sua trama se passa na sala de espera do consultório do Doutor Stern, famoso pelo sua tratamento de pacientes com TOC e por seus pacientes nunca necessitarem de uma segunda sessão.

Lá, seis pacientes se encontram, com hora marcada para uma consulta: Branca (Márcia Cabrita) tem mania de limpeza, Maria (Ângela Barros), religiosa, acha sempre que sempre esqueceu tudo aberto, Lili (Flávia Garrafa), tem o hábito de repetição, Bob (Sérgio Guizé) é fanático por simetria, Vicente (Marat Descartes) não consegue parar de fazer contas e Fred (Riba Carlovich) sofre de uma síndrome que o faz dizer palavras obscenas constantemente. Carô Parra interpreta a assistente do médico.

Dr. Stern se atrasa excessivamente devido a alguns imprevistos, levando os pacientes a se unirem numa terapia em grupo, que rende boas tiradas. A história é permeada de humor inteligente e a platéia consegue soltar grandes gargalhadas sem apelação.

Para a atriz Márcia Cabrita, a originalidade do tema foi a principal característica que chamou sua atenção para o espetáculo. “É um formato diferente de tudo o que eu já fiz, além de ser uma comédia inteligente e muito perspicaz”, afirma.

Marat Descartes faz com que seu personagem se destaque durante toda a trama, não somente porque o texto chama atenção para suas ações, mas porque ele as conduz com maestria, demonstrando grande talento e técnica, assim como Márcia Cabrita, que consegue interpretar uma louca engraçada, sem apelar para o surreal ou para a histeria.

Destacam-se também o cenário todo branco e revestido por persianas, concebido por Márcia Monn, e os figurinos, assinados por Carol Badra,  que demonstram o transtorno sofrido por cada personagem e têm como base filmes e séries que já retrataram o tema, como O Aviador e Monk.

A peça está em cartaz no Teatro Cultura Artística – Sala Rubens Sverner, localizado na Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação.  Sextas e sábados às 21h e Domingos às 18h. Ingressos de R$ 60,00 a R$ 80,00.

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

3 comments 12 Agosto 2008


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