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A busca pela nova Elle Woods

No dia 20 de julho, a loirinha Laura Bell Bundy dará adeus à personagem que lhe rendeu uma indicação ao Tony Awards, Elle Woods no musical Legally Blonde. Esse é sempre um grande problema para os musicais da Broadway, o momento em que o OBC (Original Broadway Cast, ou seja, o primeiro elenco) começa a deixar o espetáculo e eles precisam contratar atores novos, que tenham carisma e talento suficiente para superar as comparações com seus antecessores.

E para tentar resolver esse problema é que os produtores, em associação com a MTV americana lançaram o reality show “Legally Blonde The Musical – The Search for Elle Woods”, com apresentação de Haylie Duff e cujo último episódio irá ao ar no dia 21. A vencedora do reality show será a substituta de Laura Bell no musical.

Laura Bell como Elle Woods

Laura Bell como Elle Woods

Até agora, quatro das dez finalistas  ainda continuam na disputa: Autumn, Bailey, Lauren e Rhiannon. O último episódio vai ao ar na próxima segunda feira, e já no dia seguinte os nova-iorquinos terão a chance de conferir o desempenho da vencedora no papel.

Até sexta-feira passada, os brasileiros tinham a chance de conferir os episódios no próprio site da MTV, mas os produtores do musical pediram para que todo conteúdo de Legally Blonde fosse bloqueado para todos os países, com exceção é claro dos Estados Unidos (Talvez seja um reflexo da polêmica envolvendo os direitos que aconteceu no Brasil?).

No entanto, ainda é fácil de se encontrar os episódios em sites de vídeo como Youtube.

Apesar de alguns testes serem um pouco desnecessários (como dançar de bota no frio congelante sobre um chão de concreto ou fazer amizade com cachorros treinados), a idéia do reality show é bem interessante e outros já foram feitos pra selecionar atores para musicais em diversos países. Quem sabe um dia algum musical brasileiro não produz seu próprio reality show e encontra um novo talento?

Leonardo Polo

leonardo@enteatro.com.br

Add comment 14 Julho 2008

Audições abertas para o musical “Esta é a nossa canção”

O musical “Esta é a nossa canção”, versão brasileira de They’re playing our song, já está em fase de pré-produção. Com livro de Neil Simon, letras de Carole Bayer Sager e música de Marvin Hamlisch, o musical é baseado no relacionamento real entre Carole e Marvin.

A produção brasileira terá Amanda Acosta e Tadeu Aguiar no elenco, e as audições para selecionar o restante do elenco estão abertas.

Quem se interessar deve ter entre 20 e 40 anos, alguma experiência em teatro musical e enviar o seu currículo com foto para estaeanossacancao@terra.com.br

As audições estão programadas para outubro e a estréia do musical deve ocorrer em janeiro de 2009.

Leonardo Polo

leonardo@enteatro.com.br

2 comments 3 Julho 2008

Musicais no Brasil – Temporada de 2008/2009

Com o sucesso da volta dos musicais no Brasil, a temporada de 2008/2009 promete várias grandes produções com diversos estilos diferentes. Já existem rumores para outras, mas irei falar aqui somente das que já foram confirmadas.

Avenida Q (Avenue Q)

Conta a história de Princeton, um jovem recém formado com grandes sonhos e pouco dinheiro, que logo descobre que a única vizinhança em que pode alugar uma moraJohn Tartaglia (Princeton)dia é na avenida Q. Entres os vizinhos há Bryan, o comediante desempregado, e sua noiva, a terapeuta Christmas Eve; Nicky, o esperto e bom de coração e seu companheiro de quarto Rod, um banqueiro de investimento republicano que parece ter alguma espécie de segredo; há ainda um viciado em pornografia de Internet, chamado Trekkie Monster, e uma linda professora e assistente do jardim de infância, chamada Kate Monster. E você acreditaria que o superintendente do edifício é Gary Coleman? (Sim, esse Gary Coleman.) Juntos, Princeton e seus novos amigos esforçam-se para encontrar trabalhos, datas e a finalidade de suas vidas.

Musical protagonizado por bonecos, no estilo Vila Sésamo, só que direcionado para o público adulto, onde as músicas, compostas por Robert Lopez e Jeff Marx, incluem temas esclarecedores como “If You Were Gay” (Se Você Fosse Gay), “Everyone’s a Little Bit Racist” (Todo Mundo é um Pouco Racista) e “The Internet is For Porn” (Internet é para Pornografia). Foi o vencedor do Tony Awards de melhor musical em 2004. Se encontra atualmente em cartaz na Broadway e Londres.

No Brasil terá direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho (de “A Noviça Rebelde” – veja aqui).

Previsão de estréia para o segundo semestre de 2008, no Rio de Janeiro.

Cabaret

Berlim no início da década de 30. O nazismo fazia sua ascensão meteórica, mas a grande maioria dasLiza Minelli como Sally Bowles pessoas ainda não tinha noção do terrível poder no qual aquela força política se transformaria. Sally Bowles, uma jovem americana que canta no Cabaré “Kit Kat Club” e sonha em ser tornar uma estrela, se apaixona por Brian Roberts, que é bissexual. Ambos se envolvem com Maximillian von Heune, um rico e nobre alemão. Quando Sally fica grávida, Brian diz que quer casar e declara não se importar de quem seja o filho. Mas o futuro lhes reserva outro destino.

Musical bastante polêmico pela sua temática e conteúdo. Em sua última montagem britânica, incluiu-se cenas de nudismo, Sally Bowles vestida de freira, entre outros. As músicas são de Fred Ebb e John Kander, como “If You Could See Her” (Se Você Pudesse Vê-la), onde Emcee, o mestre de cerimônias do Kit Kat Club, canta junto de uma gorila, fazendo apologia ao relacionamento de dois personagens do musical. Ele, nazista, e ela, judia. O último verso da música diz “Se você pudesse vê-la com meus olhos, ela não pareceria judia”. E claro, os sucessos memoráveis como “Maybe This Time”, “Cabaret” e “Money, Money”. Foi vencedor do Tony Awards de melhor musical em 1966 e de melhor revival em 1998.

No Brasil, a produção está encarregada da grande empresa T4F (de “Miss Saigon”) e seguirá a montagem argentina. As audições já ocorreram mas ainda não há nada confirmado sobre o elenco.

Previsto para o segundo semestre de 2008, em São Paulo.

Essa é a Nossa Canção (They’re Playing Our Song)

Uma comédia-musical que fala da tempestuosa relação entre um consagrado compositor, Vernon Gersh, e uma talentosa letrista, Sônia Walsk.

Vivendo mundos absolutamente diferentes, o encontro dos dois é promovido por suas gravadoras, quando percebem que profissionalmente, eles podem formar uma dupla perfeita. Assim, à medida que, entre eles, a música flui, eles também vão se aproximando, se apaixonando e navegando em um mar de divergências: ele, arrumadinho; ela,alternativa; ele, sistemático; ela, criativa. Remando contra a maré, os dois deixam a relação acontecer, mesmo que desafinada: ele, inseguro, tentando se entregar ao sentimento; ela, confusa, tentando se livrar de sua relação anterior.

O musical estreiou na Broadway em 1979, seguido no ano seguinte por uma produção britânica e conta com a composição de Carole Bayer Sager e Marvin Hamlisch.

No Brasil, teremos Tadeu Aguiar (de “My Fair Lady”) no papel de Vernon e Amanda Acosta (também de “My Fair Lady”) no papel de Sônia.

Previsão para Janeiro de 2009, em São Paulo.

Gipsy (Gypsy)

Musical baseado nas memórias de Gypsy Rose Lee, grande nome do strip-tease americano. Desde pequena,Patti LuPone (Mama Rose) e Laura Benanti (Louise) Rose sempre sonhou com o sucesso. E esse desejo a transformou em uma mãe dedicada e incansável, cujo único objetivo era a fama para suas filhas, June e Louise. Dirigindo uma pequena companhia de teatro, as três viajaram através dos Estados Unidos, apresentando seu espetáculo. Passaram por momentos difíceis, conheceram o amor, a alegria e a dor de suas constantes mudanças. Mas o brilho do sucesso foi ficando cada vez mais difícil de ser alcançado. Abandonada por June, que decide deixar para trás a vida de artista, Rose é obrigada a investir todos seus esforços em sua outra filha, Louise. Até que, no momento mais decadente de suas vidas, o destino prepara mais uma de suas reviravoltas e surge, finalmente, a grande chance! Do dia para a noite, a tímida Louise se transforma em sensação internacional e inica uma nova carreira, cheia de surpresas, luxo e romance.

Vencedor do Tony Awards de melhor revival em 1989, encontra-se atualmente com outro revival na Broadway, com Patti LuPone (Mama Rose), Laura Benanti (Louise) e Boyd Gaines (Herbie), todos vencedores do Tony Awards desse ano por, respectivamente, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor ator coadjuvante. Conta com composição de Jule Styne e Stephen Sondheim, e inclui música memoráveis como “Everything’s Coming Up Roses”, “You Gotta Get a Gimmick” e “Rose’s Turn”.

No Brasil, teremos Totia Meirelles (de “Garota Glamour”) no papel de Mama Rose e Adriana Garambone (de ‘Cole Porter, ele nunca disse que me amava” e “Chicago”), que comprou os direitos do musical, no de Louise. Direção de Charles Möeller e Cláudio Botelho.

Previsão de estréia para o segundo semestre de 2008 ou início de 2009, no Rio de Janeiro.

Hairspray

Marissa Jaret Winokur (Tracy Turnblad)O ano é 1962, a segregação racial e o preconceito ainda assolavam Baltimore. Entretanto, nada disso afeta o bom-humor e alto astral da rechonchuda Tracy Turnblad, uma garota cheia de simpatia que sonha em dançar no principal programa de TV, o “The Corny Collins Show”. E mesmo sem os “padrões” necessários para isso, realiza seu sonho. À partir daí, começa uma luta por uma causa maior, a integração.

Vencedor do Tony Awards de melhor musical em 2003, e contando com a composição de Marc Shaiman e Scott Wittman, o musical está atualmente em cartaz na Broadway e Londres. Existe uma versão cinematográfica, que saiu ano passado, contando com John Travolta, Michelle Pfeiffer, Queen Latifah, entre outros.

No Brasil, será trazido pela Chaim Produções (de “Os Produtores”) e contará com a adaptação de Miguel Falabella (também de “Os Produtores”).

Sem previsões no momento, mas acredita-se que seja em 2009, na cidade de São Paulo.

Into the Woods

Conheça a vida dos mais famosos personagens de contos de fadas depois do “felizes para sempre”. Um padeiro e sua esposa viajam para um bosque a procura de uma vaca, uma capa vermelha, um par deKerry O'Malley (Mulher do Padeiro), Stephen DeRosa (O Padeiro), Vanessa Williams (A Bruxa) chinelos dourados e alguns feijões mágicos – tudo necessário para transformar a maldição de suas vidas. Eles encontram um grupo de personagens como Chapéuzinho Vermelho, Rapunzel, João, Cinderela, entre outros; e suas estórias se entrelaçam dentro do bosque, onde tudo é possível.

Vencedor do Tony Awards de melhor revival em 2002 e com composição do grande Stephen Sondheim, inclui as famosas canções “Children Will Listen” e “No One Is Alone”. É considerado um dos clássicos do Sonheim e rumores não faltam para uma versão cinematográfica.

No Brasil, será trazido pela Master Produções Artísticas e Culturais (de “Aida”).

Sem previsão, com indícios de realização no final desse ano ou início de 2009.

Jane Eyre

Marla Schaffel (Jane Eyre) e James Stacy Barbour (Rochester)Órfã, Jane Eyre está sob os cuidados de sua tia, que simplesmente não tolera a personalidade forte e decidida da menina e, por isso, a manda para um rígido colégio interno. Dez anos depois, Jane tornou-se professora e vai trabalhar no castelo Thornfield Hall como governanta de Adele, a protegida do atormentado e solitário Edward Rochester. Logo se sente atraída pelo misterioso patrão. E o que parecia impossível acontece. Ele também se apaixona. Mas quando estão prestes a se casar, o segredo que Rochester esconde vem à tona e pode pôr fim à felicidade de Jane.

O musical abriu na Broadway em 2000, baseado na obra de Charlotte Brontë e com composição de Paul Gordan. Uma versão revisada está prevista para estrear até 2009, nos Estados Unidos, onde seguirá fazendo tours regionais.

No Brasil, será trazido por Saulo Vasconcelos (de “O Fantasma da Ópera”) e Sara Sarres (de “West Side Story”), que compraram os direitos juntos e irão protagonizar. Ele no papel de Edward Fairfax Rochester e ela no papel de Jane Eyre.

Sem previsões para estréia, mas tudo indica que para o início de 2009, em São Paulo.

Assista ao vídeo, produzido por Denny Naka, em que Saulo e Sara comentam sobre esse novo projeto e apresentam algumas canções.

Legalmente Loira (Legally Blonde)

Elle Woods é uma garota loira e linda que repentinamente tem seu namoro rompido porLaura Bell Bundy (Elle Woods) ser considerada fútil demais pelo namorado. Disposta a reconquistá-lo, ela vai para a Universidade de Harvard, onde ele estuda, para fazer Direito e provar que é inteligente. Lá encontra muitas dificuldades, como ver que a nova namorada de seu ex-Warner está noiva dele.

Musical baseado no filme estrelado por Reese Witherspoon, atualmente em cartaz na Broadway, é considerado um hit, com composição de Laurence O’Keefe e Nell Benjamin.

No Brasil, Luciana Vendramini comprou os direitos e irá protagonizar. A produção ficou nas mãos de Charles Möeller e Cláudio Botelho.

Previsão para outubro desse ano, em São Paulo.

Charles Fouquet

charles@enteatro.com.br

15 comments 24 Junho 2008

Gota D’Água

O musical de Chico Buarque e Paulo Pontes, Gota D’Água, está em cartaz no SESC Vila Mariana em São Paulo com ingressos esgotados.

Adaptação do clássico Medéia para a realidade brasileira, a montagem é repleta de surpresas, a começar por um elenco encabeçado por Izabella Bicalho, que dá um show de garra no palco. Seus colegas em cena também mostram uma qualidade impecável e têm algo raro hoje em dia, a capacidade de interpretação, não são somente cantores que se aventuram a dar vida a algum papel, mas atores que vivem aquele drama todo, que, se é que isso ainda é possível hoje, te fazem viver a famosa catarse, citada na Poética de Aristóteles.

Musicais e trama envolventes somados a um elenco de qualidade resultam em um dos melhores musicais em cartaz esse ano. Merecidas as várias indicações ao prêmio Shell.

Izabella Bicalho (de preto) em cena de Gota D\'água

MÉDIA: 10.0

RECOMENDAÇÃO: Imperdível. Pena que está esgotado!

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

2 comments 19 Junho 2008

Tony Awards 2008 – What an Enchanted Evening!

A algumas horas, no Radio City Musical Hall em Nova Iorque, ocorreu a entrega dos Tony Awards, prêmio considerado equivalente ao Oscar da Broadway.

Quanto aos resultados, não tivemos muitas surpresas, mas a premiação desse ano foi especial para o Brasil pois Paulo Szot, primeiro brasileiro protagonista na Broadway, foi o vencedor do prêmio de melhor ator num musical. O que também não foi nenhuma surpresa tendo em vista as maravilhosas críticas que renderam de sua atuação como o fazendeiro francês Emile de Becque em South Pacific, musical que levou no total 7 Tonys.

Além das críticas, o brasileiro já ganhou prêmios como o Drama Desk, the Outer Critics Circle, o the Theatre World Award, além agora do ápice de todos eles que foi o Tony Awards, onde concorreu com os veteranos Daniel Evans (Sunday in the Park with George) e Tom Wopat (A Catered Affair), e ao mesmo tempo com dois outros estreantes, Stew (Passing Strange) e Lin-Manuel Miranda (In The Heights), ambos também bem aclamados pela crítica com seus musicais completamente originais. Szot fez um discurso breve, agradecendo amigos, pessoas do ramo musical, a família, etc. Inclusive mandou um feliz aniversário em português para a sua mãe. Após o discurso, os vencedores tiveram a chance de agradecer alguém que eles pudessem ter esquecido e Szot mais uma vez falou em português e dedicou o prêmio ao povo brasileiro, principalmente aos artistas que lutam pelo reconhecimento nacional e internacional. Assista esse discursso aqui:

Agora segue a lista completa dos vencedores.

Categoria Musicais.

Musical: In the Heights.

Revival: South Pacific.

Ator: Paulo Szot, South Pacific.

Atriz: Patti LuPone, Gypsy.

Ator Coadjuvante: Boyd Gaines, Gypsy.

Atriz Coadjuvante: Laura Benanti, Gypsy.

Partitura: Lin-Manuel Miranda, In the Heights.

Libretto: Stew, Passing Strange.

Direção: Bartlett Sher, South Pacific.

Cenário: Michael Yeargan, South Pacific.

Design Sonoro: Scott Lehrer, South Pacific.

Figurino: Catherine Zuber, South Pacific.

Iluminação: Donald Holder, South Pacific.

Coreografia: Andy Blankenbuehler, In the Heights.

Orquestrações: Alex Lacamoire and Bill Sherman, In the Heights.

Categoria Peças.

Peça: August: Osage County, by Tracy Letts.

Revival: Boeing-Boeing.

Atriz: Deanna Dunagan, August: Osage County.

Ator: Mark Rylance, Boeing-Boeing.

Direção: Anna D. Shapiro, August: Osage County.

Ator Coadjuvante: Jim Norton, The Seafarer.

Atriz Coadjuvante: Rondi Reed, August: Osage County.

Cenário: Todd Rosenthal, August: Osage County.

Design Sonoro: Mic Pool, The 39 Steps.

Figurino: Katrina Lindsay, Les Liaisons Dangereuses.

Iluminação: Kevin Adams, The 39 Steps.

Paulo Szot com seu Tony Awards

Agradecimento a Marina Menezes pelo vídeo fornecido.

Charles Fouquet

charles@enteatro.com.br

Add comment 16 Junho 2008

A Noviça Rebelde

E finalmente, em 22 de maio de 2008, estréia a nova produção brasileira de A Noviça Rebelde (The Sound of Music), famoso musical da Broadway, imortalizado pelo filme homônimo. A nova montagem não segue o chamado “musical franchising” e, portanto, é totalmente brasileira no que se refere a escolha de cenários, figurinos, interpretação e outros detalhes, seguindo somente o roteiro original e as canções.

Quem é fã do filme, se surpreenderá com a montagem, que reproduz a história que foi montada nos palcos, antes mesmo da adaptação cinematográfica, assim, algumas canções novas aparecem, ao lado daquelas que foram compostas somente para o filme e imortalizadas, mas que permanecem nessa versão, e a famosa música na qual Maria, no Brasil interpretada por Kiara Sasso – veterana atriz de musicais, que participou de produções como A Bela e a Fera e O Fantasma da Ópera -, canta suas coisas favoritas: “Coisas que eu amo” (My favourite things), nessa versão é ambientada no convento ao lado da Madre Superiora e não mais no quarto com as crianças Von Trapp, a explicação para o fato? simples, desde o início desse ano, a detentora dos direitos autorais da peça não permite mais que seja reproduzida a versão dos cinemas no palco, devendo ser seguida a estrutura original da composição, a qual, sinceramente, é muito coerente, pois a canção fica completamente amparada pelo enredo quando localizada naquele momento do texto.

Os méritos dessa montagem são grandes: Kiara Sasso, mostra domínio no genêro musical e prova que sua experiência é grande, com técnica vocal acertada, a única ressalva é que em alguns momentos eu via a personagem Bela tentando ser a Noviça, talvez pelo excesso de meiguisse que remete a um personagem anterior da carreira da atriz, que ainda resgatou um timbre de voz semelhante em algumas falas; o elenco infantil, composto por 18 crianças que se revezam interpretando 6 filhos do Capitão Von Trapp, é brilhante! Todas cantam, dançam, interpretam e fazem inveja até em alguns atores mais experientes! É incrível ver a afinação deles, concentradíssimos em seus papéis; Solange Badim faz uma Baronesa que junto com Fernando Eiras, o Tio Max, garante comicidade no ponto certo e ainda qualidade técnica invejável; Mirna Rubim e Vera do Canto, que nessa montagem se revezam no papel de Madre Superiora, fazem bonito, cada uma compondo sua personagem de forma diferente e sempre com qualidade vocal invejável (se puder veja com as duas! se não, opte por Mirna que além de fazer uma Madre mais amorosa, brilha com sua voz potente!); Carolina Puntel e Maria Netto, intérpretes de Liesl, alternam sessões no papel da filha mais velha do Capitão, e cada uma com sua doçura e jeito meigo, defendem o papel brilhantemente e garantem uma linda cena com a canção “Dezesseis e Dezessete” e as freiras que mostram imensa qualidade técnica.

Mas existem alguns itens que não contribuem para o brilhantismo da peça: Herson Capri, o famosos Capitão Georg Von Trapp nessa montagem, não chega aos pés do resto do elenco, inconfortável com a necessidade de cantar e tirando o brilho de um dos momentos mais emocionantes da peça, a canção “Edelweiss”, tenho certeza que Ricca Barros, substituto de Herson, defende o Capitão de forma muito mais acertada; Bruno Miguel faz um Rolf sem graça e que desafinou nas duas noites em que acompanhei a peça, não correspondendo ao brilhantismo de seu par romântico, a linda Liesl; os cenários poderiam ter um maior glamour, algo me incomodava, talvez pelo fato de imaginar uma mansão da família Von Trapp muito mais imponente, o que talvez não foi possível devido as dimensões do teatro Oi Casa Grande, que apesar de ser um grande marco para o Rio de Janeiro, não é nem de perto um Teatro Abril ou um Teatro Alfa; as transições de cenários poderiam ser mais dinâmicas, a solução de ser utilizar penumbra enquanto automatizadamente os cenários se movem vagarosamente enquanto o maestro sustenta uma trilha relacionada com a peça, acaba por tirar o dinamismo da montagem e, por último, a péssima idéia de se utilizar algumas projeções que com desenhos infantis, me fizeram perguntar: não existe nada melhor do que inventar bonequinhos pra aparecerem atrás da protagonista em um de seus solos?

O saldo é positivo! Uma peça divertida, leve, alegre, para todas as idades! Que emociona os mais velhos que se lembram do filme e diverte as crianças e adolescentes que se sentem representados no palco!

Talvez, falte um pouco mais de emoção em substituição a técnica.

Kiara Sasso e crianças em cena de A Noviça Rebelde

MÉDIA: 9.0

RECOMENDAÇÃO: Não deixe de curtir “Coisas que eu amo” interpretada por Maria e a Madre Superiora, se encante em todas as músicas cantadas pelas crianças e se divirta com a Baronesa e o Tio Max em “O que é que a gente faz?”.

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

2 comments 12 Junho 2008

West Side Story

Em 2007, a Takla Produções Artísticas trouxe um musical que foi muito elogiado pela crítica e pelo público, My Fair Lady. Neste ano, o diretor Jorge Takla tenta repetir o sucesso com outro clássico dos musicais, West Side Story, que conta a história de Maria e Tony, um casal inspirado em Romeu e Julieta, que luta para ficar junto, mesmo pertencendo a gangues inimigas.

Com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, o musical tem versão brasileira assinada por Cláudio Botelho, que consegue fazer versões que funcionam bem, mas nem de longe possuem a dinâmica das letras de Sondheim. Além disso, Botelho consegue achar soluções geniais para difíceis problemas (como a música “Tonight”, que em português foi adaptada para “Você”), mas não consegue fugir dos lugares comuns em músicas mais simples de serem versionadas.

Os cenários, assinados por Jorge Takla, são bonitos e adequados, pois apesar de serem pequenos para não atrapalhar os números de dança, possuem uma impressionante riqueza de detalhes. A troca dos cenários acontece de maneira rápida e dinâmica, sem pano branco como acontecia em My Fair Lady. O diretor também é o responsável pela iluminação, que pode incomodar a princípio os fãs acostumados com as cores do filme, mas que são fiéis a montagem da Broadway de 1957.

No elenco, Fred Silveira consegue com seu timbre suave dar uma nova cara ao personagem Tony. No papel de Maria está Bianca Tadini, que merecidamente volta a ocupar um lugar de protagonista após ser substituta em “O Fantasma da Ópera” e “My Fair Lady”. Ela consegue fazer uma Maria apaixonante e impressiona a platéia com a facilidade que tem em alcançar as notas mais altas. Sara Sarres como Anita é quem mais surpreende em um papel bem diferente daquele que o público está acostumado a vê-la e mostra total domínio na dança, canto e atuação. Francarlos Reis também brilha, mesmo em um papel pequeno.
O restante do elenco se mostra muito afiado e competente no canto e nos complicados números de dança, mas por ser um musical com uma grande quantidade de diálogos, fica claro que existe uma certa deficiência de alguns membros do coro no quesito atuação.
A orquestra sob a regência de Vânia Pajares é um espetáculo à parte, principalmente ao final do espetáculo, quando tocam a música que serviu de abertura na versão cinematográfica.

No final, o saldo é positivo e Jorge Takla consegue mais uma vez fazer um espetáculo com grande qualidade técnica e que somente perde alguns pontos na atuação e na história. Apesar de muitos insistirem que a trama se mantem atual nos nossos dias, é difícil levar a sério uma briga de gangues que se vestem de cores diferentes, com data e hora marcadas, ainda mais com a violência que vivemos não só no Brasil, mas no mundo todo. O amor de Tony e Maria também é outro ponto questionável, pois tudo acontece muito rápido na trama e acaba sendo até difícil se envolver e torcer pelo amor dos dois. No entanto, estes são problemas que já existiam na produção original.

Sara Sarres e Frederico Silveira em West Side Story

MÉDIA: 8.0

RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na cena do Ballet no início do segundo ato, uma das músicas mais bonitas, cantada pela talentosa Daniela Vega.

Leonardo Polo

leonardo@enteatro.com.br

Add comment 12 Junho 2008


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