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A busca pela nova Elle Woods
No dia 20 de julho, a loirinha Laura Bell Bundy dará adeus à personagem que lhe rendeu uma indicação ao Tony Awards, Elle Woods no musical Legally Blonde. Esse é sempre um grande problema para os musicais da Broadway, o momento em que o OBC (Original Broadway Cast, ou seja, o primeiro elenco) começa a deixar o espetáculo e eles precisam contratar atores novos, que tenham carisma e talento suficiente para superar as comparações com seus antecessores.
E para tentar resolver esse problema é que os produtores, em associação com a MTV americana lançaram o reality show “Legally Blonde The Musical – The Search for Elle Woods”, com apresentação de Haylie Duff e cujo último episódio irá ao ar no dia 21. A vencedora do reality show será a substituta de Laura Bell no musical.

Laura Bell como Elle Woods
Até agora, quatro das dez finalistas ainda continuam na disputa: Autumn, Bailey, Lauren e Rhiannon. O último episódio vai ao ar na próxima segunda feira, e já no dia seguinte os nova-iorquinos terão a chance de conferir o desempenho da vencedora no papel.
Até sexta-feira passada, os brasileiros tinham a chance de conferir os episódios no próprio site da MTV, mas os produtores do musical pediram para que todo conteúdo de Legally Blonde fosse bloqueado para todos os países, com exceção é claro dos Estados Unidos (Talvez seja um reflexo da polêmica envolvendo os direitos que aconteceu no Brasil?).
No entanto, ainda é fácil de se encontrar os episódios em sites de vídeo como Youtube.
Apesar de alguns testes serem um pouco desnecessários (como dançar de bota no frio congelante sobre um chão de concreto ou fazer amizade com cachorros treinados), a idéia do reality show é bem interessante e outros já foram feitos pra selecionar atores para musicais em diversos países. Quem sabe um dia algum musical brasileiro não produz seu próprio reality show e encontra um novo talento?
Leonardo Polo
Add comment 14 Julho 2008
Gota D’Água
O musical de Chico Buarque e Paulo Pontes, Gota D’Água, está em cartaz no SESC Vila Mariana em São Paulo com ingressos esgotados.
Adaptação do clássico Medéia para a realidade brasileira, a montagem é repleta de surpresas, a começar por um elenco encabeçado por Izabella Bicalho, que dá um show de garra no palco. Seus colegas em cena também mostram uma qualidade impecável e têm algo raro hoje em dia, a capacidade de interpretação, não são somente cantores que se aventuram a dar vida a algum papel, mas atores que vivem aquele drama todo, que, se é que isso ainda é possível hoje, te fazem viver a famosa catarse, citada na Poética de Aristóteles.
Musicais e trama envolventes somados a um elenco de qualidade resultam em um dos melhores musicais em cartaz esse ano. Merecidas as várias indicações ao prêmio Shell.
MÉDIA: 10.0
RECOMENDAÇÃO: Imperdível. Pena que está esgotado!
Guilherme Udo
2 comments 19 Junho 2008
Tony Awards 2008 – What an Enchanted Evening!
A algumas horas, no Radio City Musical Hall em Nova Iorque, ocorreu a entrega dos Tony Awards, prêmio considerado equivalente ao Oscar da Broadway.
Quanto aos resultados, não tivemos muitas surpresas, mas a premiação desse ano foi especial para o Brasil pois Paulo Szot, primeiro brasileiro protagonista na Broadway, foi o vencedor do prêmio de melhor ator num musical. O que também não foi nenhuma surpresa tendo em vista as maravilhosas críticas que renderam de sua atuação como o fazendeiro francês Emile de Becque em South Pacific, musical que levou no total 7 Tonys.
Além das críticas, o brasileiro já ganhou prêmios como o Drama Desk, the Outer Critics Circle, o the Theatre World Award, além agora do ápice de todos eles que foi o Tony Awards, onde concorreu com os veteranos Daniel Evans (Sunday in the Park with George) e Tom Wopat (A Catered Affair), e ao mesmo tempo com dois outros estreantes, Stew (Passing Strange) e Lin-Manuel Miranda (In The Heights), ambos também bem aclamados pela crítica com seus musicais completamente originais. Szot fez um discurso breve, agradecendo amigos, pessoas do ramo musical, a família, etc. Inclusive mandou um feliz aniversário em português para a sua mãe. Após o discurso, os vencedores tiveram a chance de agradecer alguém que eles pudessem ter esquecido e Szot mais uma vez falou em português e dedicou o prêmio ao povo brasileiro, principalmente aos artistas que lutam pelo reconhecimento nacional e internacional. Assista esse discursso aqui:
Agora segue a lista completa dos vencedores.
Categoria Musicais.
Musical: In the Heights.
Revival: South Pacific.
Ator: Paulo Szot, South Pacific.
Atriz: Patti LuPone, Gypsy.
Ator Coadjuvante: Boyd Gaines, Gypsy.
Atriz Coadjuvante: Laura Benanti, Gypsy.
Partitura: Lin-Manuel Miranda, In the Heights.
Libretto: Stew, Passing Strange.
Direção: Bartlett Sher, South Pacific.
Cenário: Michael Yeargan, South Pacific.
Design Sonoro: Scott Lehrer, South Pacific.
Figurino: Catherine Zuber, South Pacific.
Iluminação: Donald Holder, South Pacific.
Coreografia: Andy Blankenbuehler, In the Heights.
Orquestrações: Alex Lacamoire and Bill Sherman, In the Heights.
Categoria Peças.
Peça: August: Osage County, by Tracy Letts.
Revival: Boeing-Boeing.
Atriz: Deanna Dunagan, August: Osage County.
Ator: Mark Rylance, Boeing-Boeing.
Direção: Anna D. Shapiro, August: Osage County.
Ator Coadjuvante: Jim Norton, The Seafarer.
Atriz Coadjuvante: Rondi Reed, August: Osage County.
Cenário: Todd Rosenthal, August: Osage County.
Design Sonoro: Mic Pool, The 39 Steps.
Figurino: Katrina Lindsay, Les Liaisons Dangereuses.
Iluminação: Kevin Adams, The 39 Steps.
Paulo Szot com seu Tony Awards
Agradecimento a Marina Menezes pelo vídeo fornecido.
Charles Fouquet
Add comment 16 Junho 2008
A Noviça Rebelde
E finalmente, em 22 de maio de 2008, estréia a nova produção brasileira de A Noviça Rebelde (The Sound of Music), famoso musical da Broadway, imortalizado pelo filme homônimo. A nova montagem não segue o chamado “musical franchising” e, portanto, é totalmente brasileira no que se refere a escolha de cenários, figurinos, interpretação e outros detalhes, seguindo somente o roteiro original e as canções.
Quem é fã do filme, se surpreenderá com a montagem, que reproduz a história que foi montada nos palcos, antes mesmo da adaptação cinematográfica, assim, algumas canções novas aparecem, ao lado daquelas que foram compostas somente para o filme e imortalizadas, mas que permanecem nessa versão, e a famosa música na qual Maria, no Brasil interpretada por Kiara Sasso – veterana atriz de musicais, que participou de produções como A Bela e a Fera e O Fantasma da Ópera -, canta suas coisas favoritas: “Coisas que eu amo” (My favourite things), nessa versão é ambientada no convento ao lado da Madre Superiora e não mais no quarto com as crianças Von Trapp, a explicação para o fato? simples, desde o início desse ano, a detentora dos direitos autorais da peça não permite mais que seja reproduzida a versão dos cinemas no palco, devendo ser seguida a estrutura original da composição, a qual, sinceramente, é muito coerente, pois a canção fica completamente amparada pelo enredo quando localizada naquele momento do texto.
Os méritos dessa montagem são grandes: Kiara Sasso, mostra domínio no genêro musical e prova que sua experiência é grande, com técnica vocal acertada, a única ressalva é que em alguns momentos eu via a personagem Bela tentando ser a Noviça, talvez pelo excesso de meiguisse que remete a um personagem anterior da carreira da atriz, que ainda resgatou um timbre de voz semelhante em algumas falas; o elenco infantil, composto por 18 crianças que se revezam interpretando 6 filhos do Capitão Von Trapp, é brilhante! Todas cantam, dançam, interpretam e fazem inveja até em alguns atores mais experientes! É incrível ver a afinação deles, concentradíssimos em seus papéis; Solange Badim faz uma Baronesa que junto com Fernando Eiras, o Tio Max, garante comicidade no ponto certo e ainda qualidade técnica invejável; Mirna Rubim e Vera do Canto, que nessa montagem se revezam no papel de Madre Superiora, fazem bonito, cada uma compondo sua personagem de forma diferente e sempre com qualidade vocal invejável (se puder veja com as duas! se não, opte por Mirna que além de fazer uma Madre mais amorosa, brilha com sua voz potente!); Carolina Puntel e Maria Netto, intérpretes de Liesl, alternam sessões no papel da filha mais velha do Capitão, e cada uma com sua doçura e jeito meigo, defendem o papel brilhantemente e garantem uma linda cena com a canção “Dezesseis e Dezessete” e as freiras que mostram imensa qualidade técnica.
Mas existem alguns itens que não contribuem para o brilhantismo da peça: Herson Capri, o famosos Capitão Georg Von Trapp nessa montagem, não chega aos pés do resto do elenco, inconfortável com a necessidade de cantar e tirando o brilho de um dos momentos mais emocionantes da peça, a canção “Edelweiss”, tenho certeza que Ricca Barros, substituto de Herson, defende o Capitão de forma muito mais acertada; Bruno Miguel faz um Rolf sem graça e que desafinou nas duas noites em que acompanhei a peça, não correspondendo ao brilhantismo de seu par romântico, a linda Liesl; os cenários poderiam ter um maior glamour, algo me incomodava, talvez pelo fato de imaginar uma mansão da família Von Trapp muito mais imponente, o que talvez não foi possível devido as dimensões do teatro Oi Casa Grande, que apesar de ser um grande marco para o Rio de Janeiro, não é nem de perto um Teatro Abril ou um Teatro Alfa; as transições de cenários poderiam ser mais dinâmicas, a solução de ser utilizar penumbra enquanto automatizadamente os cenários se movem vagarosamente enquanto o maestro sustenta uma trilha relacionada com a peça, acaba por tirar o dinamismo da montagem e, por último, a péssima idéia de se utilizar algumas projeções que com desenhos infantis, me fizeram perguntar: não existe nada melhor do que inventar bonequinhos pra aparecerem atrás da protagonista em um de seus solos?
O saldo é positivo! Uma peça divertida, leve, alegre, para todas as idades! Que emociona os mais velhos que se lembram do filme e diverte as crianças e adolescentes que se sentem representados no palco!
Talvez, falte um pouco mais de emoção em substituição a técnica.

MÉDIA: 9.0
RECOMENDAÇÃO: Não deixe de curtir “Coisas que eu amo” interpretada por Maria e a Madre Superiora, se encante em todas as músicas cantadas pelas crianças e se divirta com a Baronesa e o Tio Max em “O que é que a gente faz?”.
Guilherme Udo
2 comments 12 Junho 2008
West Side Story
Em 2007, a Takla Produções Artísticas trouxe um musical que foi muito elogiado pela crítica e pelo público, My Fair Lady. Neste ano, o diretor Jorge Takla tenta repetir o sucesso com outro clássico dos musicais, West Side Story, que conta a história de Maria e Tony, um casal inspirado em Romeu e Julieta, que luta para ficar junto, mesmo pertencendo a gangues inimigas.
Com música de Leonard Bernstein e letras de Stephen Sondheim, o musical tem versão brasileira assinada por Cláudio Botelho, que consegue fazer versões que funcionam bem, mas nem de longe possuem a dinâmica das letras de Sondheim. Além disso, Botelho consegue achar soluções geniais para difíceis problemas (como a música “Tonight”, que em português foi adaptada para “Você”), mas não consegue fugir dos lugares comuns em músicas mais simples de serem versionadas.
Os cenários, assinados por Jorge Takla, são bonitos e adequados, pois apesar de serem pequenos para não atrapalhar os números de dança, possuem uma impressionante riqueza de detalhes. A troca dos cenários acontece de maneira rápida e dinâmica, sem pano branco como acontecia em My Fair Lady. O diretor também é o responsável pela iluminação, que pode incomodar a princípio os fãs acostumados com as cores do filme, mas que são fiéis a montagem da Broadway de 1957.
No elenco, Fred Silveira consegue com seu timbre suave dar uma nova cara ao personagem Tony. No papel de Maria está Bianca Tadini, que merecidamente volta a ocupar um lugar de protagonista após ser substituta em “O Fantasma da Ópera” e “My Fair Lady”. Ela consegue fazer uma Maria apaixonante e impressiona a platéia com a facilidade que tem em alcançar as notas mais altas. Sara Sarres como Anita é quem mais surpreende em um papel bem diferente daquele que o público está acostumado a vê-la e mostra total domínio na dança, canto e atuação. Francarlos Reis também brilha, mesmo em um papel pequeno.
O restante do elenco se mostra muito afiado e competente no canto e nos complicados números de dança, mas por ser um musical com uma grande quantidade de diálogos, fica claro que existe uma certa deficiência de alguns membros do coro no quesito atuação.
A orquestra sob a regência de Vânia Pajares é um espetáculo à parte, principalmente ao final do espetáculo, quando tocam a música que serviu de abertura na versão cinematográfica.
No final, o saldo é positivo e Jorge Takla consegue mais uma vez fazer um espetáculo com grande qualidade técnica e que somente perde alguns pontos na atuação e na história. Apesar de muitos insistirem que a trama se mantem atual nos nossos dias, é difícil levar a sério uma briga de gangues que se vestem de cores diferentes, com data e hora marcadas, ainda mais com a violência que vivemos não só no Brasil, mas no mundo todo. O amor de Tony e Maria também é outro ponto questionável, pois tudo acontece muito rápido na trama e acaba sendo até difícil se envolver e torcer pelo amor dos dois. No entanto, estes são problemas que já existiam na produção original.

MÉDIA: 8.0
RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na cena do Ballet no início do segundo ato, uma das músicas mais bonitas, cantada pela talentosa Daniela Vega.
Leonardo Polo
Add comment 12 Junho 2008











