Posts Taggedguilherme udo

Gota D’Água

O musical de Chico Buarque e Paulo Pontes, Gota D’Água, está em cartaz no SESC Vila Mariana em São Paulo com ingressos esgotados.

Adaptação do clássico Medéia para a realidade brasileira, a montagem é repleta de surpresas, a começar por um elenco encabeçado por Izabella Bicalho, que dá um show de garra no palco. Seus colegas em cena também mostram uma qualidade impecável e têm algo raro hoje em dia, a capacidade de interpretação, não são somente cantores que se aventuram a dar vida a algum papel, mas atores que vivem aquele drama todo, que, se é que isso ainda é possível hoje, te fazem viver a famosa catarse, citada na Poética de Aristóteles.

Musicais e trama envolventes somados a um elenco de qualidade resultam em um dos melhores musicais em cartaz esse ano. Merecidas as várias indicações ao prêmio Shell.

Izabella Bicalho (de preto) em cena de Gota D\'água

MÉDIA: 10.0

RECOMENDAÇÃO: Imperdível. Pena que está esgotado!

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

2 comments 19 Junho 2008

Waterwall

O espetáculo Waterwall, conhecido mundialmente pelas suas coreografias com água, esteve no Brasil, nas últimas três semanas.

Quem acompanhou a última sessão da companhia italiana Materiali Resistenti Dance Factory no Credicard Hall em São Paulo, pode perceber uma casa vazia com aplausos frios. Qual seria o motivo?

Sendo o espetáculo mais famoso da Cia. por suas coreografias junto a uma queda d’água artificial montada no palco, que despeja aproximadamente 16 mil litros de água por sessão (convenhamos, com a atual preocupação mundial quanto a escassez de água, esse dado mostra uma desperdício absurdo!), espera-se que seja cheio de emoção. Aí que começa o problema… os integrantes esbanjam energia e vontade, mas as coreografias não são muito elaboradas, comprometendo a sensibilização do público, fica um gosto de que poderiam existir passos mais complexos, que tivessem o fator risco ao invés daqueles passos que mostram total segurança do elenco.

Fato dois: qual o tamanho da queda d’água que você imagina quando começa a ler sobre espetáculo? No mínimo algo grandioso? Pois é! A “cachoeira”, guardadas as devidas proporções, pode ser comparada a uma ducha.

Fato três: sincronismo é necessário! é complicado assistir a um espetáculo de dança, quando cada um do grupo está em uma etapa dos passos.

Imagem do Espetáculo Waterwall (Divulgação)

MÉDIA: 4.0

RECOMENDAÇÃO: Fique em casa! Não merece o seu dinheiro…

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

3 comments 12 Junho 2008

A Noviça Rebelde

E finalmente, em 22 de maio de 2008, estréia a nova produção brasileira de A Noviça Rebelde (The Sound of Music), famoso musical da Broadway, imortalizado pelo filme homônimo. A nova montagem não segue o chamado “musical franchising” e, portanto, é totalmente brasileira no que se refere a escolha de cenários, figurinos, interpretação e outros detalhes, seguindo somente o roteiro original e as canções.

Quem é fã do filme, se surpreenderá com a montagem, que reproduz a história que foi montada nos palcos, antes mesmo da adaptação cinematográfica, assim, algumas canções novas aparecem, ao lado daquelas que foram compostas somente para o filme e imortalizadas, mas que permanecem nessa versão, e a famosa música na qual Maria, no Brasil interpretada por Kiara Sasso – veterana atriz de musicais, que participou de produções como A Bela e a Fera e O Fantasma da Ópera -, canta suas coisas favoritas: “Coisas que eu amo” (My favourite things), nessa versão é ambientada no convento ao lado da Madre Superiora e não mais no quarto com as crianças Von Trapp, a explicação para o fato? simples, desde o início desse ano, a detentora dos direitos autorais da peça não permite mais que seja reproduzida a versão dos cinemas no palco, devendo ser seguida a estrutura original da composição, a qual, sinceramente, é muito coerente, pois a canção fica completamente amparada pelo enredo quando localizada naquele momento do texto.

Os méritos dessa montagem são grandes: Kiara Sasso, mostra domínio no genêro musical e prova que sua experiência é grande, com técnica vocal acertada, a única ressalva é que em alguns momentos eu via a personagem Bela tentando ser a Noviça, talvez pelo excesso de meiguisse que remete a um personagem anterior da carreira da atriz, que ainda resgatou um timbre de voz semelhante em algumas falas; o elenco infantil, composto por 18 crianças que se revezam interpretando 6 filhos do Capitão Von Trapp, é brilhante! Todas cantam, dançam, interpretam e fazem inveja até em alguns atores mais experientes! É incrível ver a afinação deles, concentradíssimos em seus papéis; Solange Badim faz uma Baronesa que junto com Fernando Eiras, o Tio Max, garante comicidade no ponto certo e ainda qualidade técnica invejável; Mirna Rubim e Vera do Canto, que nessa montagem se revezam no papel de Madre Superiora, fazem bonito, cada uma compondo sua personagem de forma diferente e sempre com qualidade vocal invejável (se puder veja com as duas! se não, opte por Mirna que além de fazer uma Madre mais amorosa, brilha com sua voz potente!); Carolina Puntel e Maria Netto, intérpretes de Liesl, alternam sessões no papel da filha mais velha do Capitão, e cada uma com sua doçura e jeito meigo, defendem o papel brilhantemente e garantem uma linda cena com a canção “Dezesseis e Dezessete” e as freiras que mostram imensa qualidade técnica.

Mas existem alguns itens que não contribuem para o brilhantismo da peça: Herson Capri, o famosos Capitão Georg Von Trapp nessa montagem, não chega aos pés do resto do elenco, inconfortável com a necessidade de cantar e tirando o brilho de um dos momentos mais emocionantes da peça, a canção “Edelweiss”, tenho certeza que Ricca Barros, substituto de Herson, defende o Capitão de forma muito mais acertada; Bruno Miguel faz um Rolf sem graça e que desafinou nas duas noites em que acompanhei a peça, não correspondendo ao brilhantismo de seu par romântico, a linda Liesl; os cenários poderiam ter um maior glamour, algo me incomodava, talvez pelo fato de imaginar uma mansão da família Von Trapp muito mais imponente, o que talvez não foi possível devido as dimensões do teatro Oi Casa Grande, que apesar de ser um grande marco para o Rio de Janeiro, não é nem de perto um Teatro Abril ou um Teatro Alfa; as transições de cenários poderiam ser mais dinâmicas, a solução de ser utilizar penumbra enquanto automatizadamente os cenários se movem vagarosamente enquanto o maestro sustenta uma trilha relacionada com a peça, acaba por tirar o dinamismo da montagem e, por último, a péssima idéia de se utilizar algumas projeções que com desenhos infantis, me fizeram perguntar: não existe nada melhor do que inventar bonequinhos pra aparecerem atrás da protagonista em um de seus solos?

O saldo é positivo! Uma peça divertida, leve, alegre, para todas as idades! Que emociona os mais velhos que se lembram do filme e diverte as crianças e adolescentes que se sentem representados no palco!

Talvez, falte um pouco mais de emoção em substituição a técnica.

Kiara Sasso e crianças em cena de A Noviça Rebelde

MÉDIA: 9.0

RECOMENDAÇÃO: Não deixe de curtir “Coisas que eu amo” interpretada por Maria e a Madre Superiora, se encante em todas as músicas cantadas pelas crianças e se divirta com a Baronesa e o Tio Max em “O que é que a gente faz?”.

Guilherme Udo

guilherme@enteatro.com.br

2 comments 12 Junho 2008

Next Posts


Newsletter

Tópicos recentes

Arquivos

Blogroll

Mande seu e-mail

Tags

2008 Agenda agenda cultural agosto a guerra dos caloteiros antunes filho avenida club brasil broadway cartilha feminina para homens machos charles fouquet crítica crítica de teatro crítica teatral dan rosseto desencontros clandestinos enteatro faap flores brancas guia cultural guilherme udo hamlet kito junqueira Musicais o beijo na terra o foguete notável os meninos e as pedras peça de teatro programação programação cultural quando as máquinas param rio de janeiro senhora dos afogados sesc sheila mello são paulo teatrix Teatro teatro augusta teatro coletivo fábrica teatro faap teatro musical teatro união cultural ultralight wagner moura

Nossos parceiros

Sobre nós

O ENTEATRO é um blog de críticas de eventos culturais, escrito por estudantes de comunicação.

Internet Blog Serial Number 00-23-11-1987

Direitos Autorais

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 2.5 Brasil Commons.
Mais informações, entre em contato.

RSS