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O Beijo na Terra

Peças infanto-juvenis são raras no Brasil, como afirma Marcus Vinícius de Arruda Camargo, diretor de “O Beijo na Terra” – montagem que vem tentar preencher esse buraco.
“O Teatro infanto-juvenil ainda é raro no Brasil. Ou os espetáculos são infantis ou juvenis. Existe um vazio na área teatral em se tratando de jovens. São poucos os espetáculos voltados para essa faixa etária.”
Assim a peça tenta, através de uma aproximação com esse público, pensar na formação do futuro dos pré-adolescentes – ” Vivemos num mundo em transformação constante. Nos valores, na tecnologia, no comportamento, na educação, nos hábitos, em quase tudo. A transformação do jovem brasileiro muitas vezes nos deixa , e a ele próprio, paralisados, assustados, inertes. Outras vezes nos deixa motivados, em êxtase, com alegria. Nesse antagonismo de emoções encontramos, ao nosso ver, o teatro infanto-juvenil.”
A trama discute relações afetivas, amizade, traição, preconceito e diferenças sociais de maneira bem humorada e sem ser cansativa, contando o namoro de Vininho, interpretado por Rafael Morpanini – com um trabalho primoroso de ator -, com Menina, personagem de Luana Melo.
Vale notar a valorização do folclore brasileiro ao longo do texto e a necessidade de aproximar o público do folclore brasileiro, uma vez que tudo é retratado dentro da cultura caipira.
O processo de montagem valorizou o trabalho dos atores e utilizou uma linguagem diferente – “Durante todo o processo tivemos como base o uso da linguagem cinematográfica, o mostrar o ator de verdade sem uso de mascaras de interpretação, não um ator querendo ser uma criança, mas o ator despertando a criança que vive dentro dele, se permitindo viver à situação com prazer, com alegria de viver aquele momento que é único de verdade e não tentando enganar o espectador com artifícios de voz de criança o algo parecido.”, diz Rafael Morpanini.
Se a preocupação é transformar, o objetivo é alçancado com glória, pois não só os pré-adolescentes, mas os pais sairão da peça tocados de alguma forma, movidos por aquela magia ali apresentada.
Com cenários e figurinos bem cuidados, feitos com o trabalho do próprio elenco, a encenação ganha vida, pontuada por uma trilha sonora que casa perfeitamente com todo o trabalho e age como o elo de ligação entre todos os elementos cênicos.
“O Beijo na Terra” está em cartaz em temporada popular no Teatro Augusta, localizado na Rua Augusta, 943, Cerqueira César – Sábados e domingos às 16h – R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Mais informações no site do teatro.
Guilherme Udo
7 comments 14 Agosto 2008
Quando as Máquinas Param
A peça, de Plínio Marcos, tem direção de Dan Rosseto e conta com Fernando Belo e Ligia Paula Machado no elenco.
O texto mostra o cotidiano de um jovem casal formado por Nina e Zé, cuja condição social leva um relacionamento estável e baseado no carinho a sofrer grandes abalos.
Ao entrar no pequeno teatro, que já garante um clima bastante intimista, você se depara com um cenário que remete a cozinha de uma casa bem simples e pode pensar “Lá vem mais uma montagem sobre a pobreza… que chato!” – Engano! A peça surpreende em todos os sentidos!
Logo no início, os dois jovens atores mostram que a cena teatral de São Paulo renova seus talentos e que técnica e paixão pelo teatro podem caminhar juntos, resultando num brilhante trabalho de atuação, apesar da pouca idade. A valorização do texto, através da construção de personagem que cada um fez, fica evidente.
A direção de Dan Rosseto proporciona uma montagem que não cansa a platéia, com ótimas opções para transição de tempo e local da ação somadas a uma brilhante trilha sonora. O diretor consegue criar aquele clima gostoso que faz com que os espectadores queiram mais e mais daquela história.
Ótima opção para se divertir no sábado à noite, Quando as Máquinas Param ainda leva a reflexão sobre as diferenças sociais, o desemprego, o amor, as relações humanas e o limite de cada um.
A peça fica em cartaz até o final de agosto, sempre aos sábados às 21h30 no Teatrix, localizado na Rua Peixoto Gomide, 1066. Os ingressos custam R$ 20,00.
Guilherme Udo
1 comment 5 Agosto 2008
Agenda – 29 de Julho a 4 de Agosto
Teatro
Hamlet (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Wagner Moura e grande elenco – Teatro FAAP – Rua Alagoas, 903, Higienópolis – Sextas e sábados às 20h e Domingos às 18h – R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia)
Quando as Máquinas Param – Com direção de Dan Rosseto - Teatrix – Rua Peixoto Gomide, 1066, Jardim Paulista - Sábados às 21h
Senhora dos Afogados (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com direção de Antunes Filho - SESC Consolação – Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque - Sextas e sábados às 21h e Domingos às 19h – R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia e matriculados) e R$ 5,00 (comerciários)
Cartilha Feminina para Homens Machos (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Sheila Mello – Avenida Club – Av. Pedroso de Moraes, 1036, Pinheiros – Sábados às 21h – R$ 35,00 (inteira) e R$ 17,50 (meia)
Flores Brancas – Com Zeza Mota e Luciana Caruso – Teatro do Centro da Terra – Rua Piracuama, 19, Sumaré – Quintas às 21h30 – R$ 30,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
A Guerra dos Caloteiros – Com Cia. Ocamorana – Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sextas e sábados às 21h30 e Domingos às 20h – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Teatro Infantil e Infanto-Juvenil
O Beijo na Terra (Confira aqui a crítica do espetáculo) – Com Luana Melo – Teatro Augusta – Rua Augusta, 943, Cerqueira César – Sábados e domingos às 16h – R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
O Conto do Reino Distante - Com o Grupo Faz e Conta – Teatro Ágora – Rua Rui Barbosa, 672, Bela Vista – Sábados e domingos às 16h
O Foguete Notável - Com Cia. Orbital de Teatro – Teatro Coletivo Fábrica – Rua da Consolação, 1623, Consolação – Sábados e domingos às 16h – R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Dança
Entre Trilhas e Tramas – Com Cisne Negro Cia. de Dança – Teatro Municipal – Praça Ramos de Azevedo, s/nº – Sexta e sábado às 21h e Domingo às 17h – De R$ 10,00 a R$ 30,00
Caso queira seu evento divulgado nessa sessão, mande um e-mail para contato@enteatro.com.br.
Guilherme Udo
Add comment 30 Julho 2008
Deus Danado
A peça com atores de Mossoró (RN) faz sua última apresentação amanhã, 20 de julho de 2008, no SESC Avenida Paulista. A temporada visou fomentar o conhecimento de companhias e montagens fora do eixo Rio – São Paulo e estabelecimento de público para essas, inclusive fornecendo ingressos gratuitos para estudantes de teatro.
A história escrita por João Denys resulta em uma montagem densa, que necessita de uma forte disponibilidade do espectador em compreender o que se passa em cena.
O elenco, de 4 pessoas, se divide em duas equipes, que se alternam entre as apresentações, enquanto um casal está em cena, o outro faz toda a sonoplastia e iluminação.
Mostrando as relações que surgem entre as pessoas através da seca, a peça rende pensamentos e interpretações subjetivas ao que é mostrado e ainda nos faz discutir o teatro atual com outras propostas de interpretação e como ela se relaciona com os limites humanos.
Ainda que de difícil apelo ao público de São Paulo e com uma montagem que necessita de um grande despreendimento do público para ser absorvida, a peça é um grande passo em relação ao conhecimento, por parte do público paulistano, de companhias teatrais de todo o território nacional.
Elenco de Deus Danado em cena do espetáculo
MÉDIA: 7.0
RECOMENDAÇÃO: Cumpre seu papel, mas exige vontade do espectador para compreender tudo o que passa, portanto, vá preparado para ser solicitado a entrar no mundo do teatro como público atuante e não somente como entretenimento passivo.
Guilherme Udo
2 comments 20 Julho 2008



