Insignificância
19 Agosto 2008
A sinopse de “Insignificância” é a seguinte – “o espetáculo põe em cena duas figuras emblemáticas da nossa sociedade do século XX: Marilyn Monroe e Einstein, num quarto de hotel em Nova York, em 1953. A eles se juntam o maior ídolo do esporte nos Estados Unidos (Joe Di Maggio), marido da atriz, e um senador (Joseph McCarthy) à caça das bruxas. Os quatro personagens, que no texto são identificados apenas como professor, atriz, jogador e senador, encontram-se em um quarto de hotel, na noite em que precederia um suposto depoimento do cientista na Comissão de Atividades Anti-Americanas. A atriz acabava de filmar uma cena que se refere ao filme O Pecado Mora ao Lado, de Billy Wilder, em que o vento do metrô levanta sua saia. Deprimida, a diva do cinema busca a sabedoria do cientista mais influente do século.”
À partir desses quatros personagens conhecidos do grande público surge uma comédia regada a piadas ácidas, críticas a sociedade e a forma como endeusamos os artistas. Tudo isso de forma dosada e controlada, apesar do intenso clima drámatico, garantido pela bela interpretação do elenco.
Mas a peça vai muito além: ela discute relações humanas, submissão, auto controle, valores, sociedade e as implicações e verdade por trás da fama. Ela provoca o público, o chama a pensar. Logo no início, somos apresentados a uma atriz que decora fórmulas físicas, mas o que será que estará por trás disso? Quais são seus verdadeiros anseios? Quais seus problemas? Aos poucos, somos apresentados a isso e a outras histórias intrigantes.
A direção primou por deixar evidente as características dos personagens consagrados e fez uma marcação limpa e clara que junto com o cenário simples, mas eficiente e muito bem utilizado, faz a dinâmica da peça ser interessante e prazerosa para a platéia.
É garantido que seu pensamento sobre o mundo da fama e do conhecimento saíra mudado ou pelo menos abalado após essa montagem.
O único problema – que é pequeno é não chega a comprometer a peça – é o intervalo que quebra o ritmo e se faz desnecessário em relação a duração da peça.
“Insignificância” está em cartaz no Ágora Teatro, localizado na Rua Rui Barbosa, 672. Às sextas e sábados às 21h e domingos às 20h. Até 31 de agosto. R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). Mais informações no site do teatro.
Guilherme Udo
Entry Filed under: Teatro - Críticas. Tags: 2008, agosto, Ênio Vivona, ágora, ágora teatro, Beatriz Bologna, enteatro, insignificância, Jorge Tarquini, Luiz Eduardo Frin, Monik Kukulka, são paulo, teatro ágora, terry Johnson.


Trackback this post | Subscribe to the comments via RSS Feed